Deserto Urbano
(CarlosAS / 07-08-2002)
(…) Cheirando cola...
Pedindo esmola,
desperdiçando sonhos.
Medonhos sonhos de pedra...
O menino que eu vi,
não tinha jeito de menino;
- Seus olhos tristes... suas olheiras
dos mesmos olhos tristesque há tempos não via os raios do sol,
pois da cabeça que eles pendiam,
d’aquele menino de chão duro de rua,
de destino incerto e alma nua...
signo da estupidez de mente crua,
só via o solo sujo e seco onde dormia e a dureza de tantos “não” que ele ouvia!
Cheirando cola,
e consumindo a indiferença da pressa “quase humana”
de quem passava em “sua” rua...
e nem o notava...
nem pediam permissão...
O menino seguia inertena contra-mão da história.
Anti-herói de um povo!
O menino não tinha ferradura.
– Isso é pra quem tem sorte,
mas tinha marca social, pois conta num censo, sem senso de coisa alguma,
já que ele não lê, não vota, não conta e nem faz diferença!
Eu não cheiro cola,
já fui à escola, e já joguei bola...
tomei coca-cola, e até dei esmola!
Sou um desses transeuntes apressados;
- Omisso à voz que ecoa dos sonhos d’aquele menino – se é que ele dorme!?
Eu não cheiro cola e sempre durmo,
não mais como antes... não mais, sem me envergonhar;
desde esse dia em que vi o menino em seu Deserto-Urbano...
Mas ainda durmo, sonho, almoço, janto e aceito esse censo;
- Ainda sou muito egoísta!!!
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
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